SÉRGIO SETTE CÂMARA, RESERVA DA RED BULL E DA ALPHA TAURI E A ENTRADA NA F1

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Uma grande notícia para Sérgio Sette Câmara e o automobilismo brasileiro. Na manhã desta segunda, o mineiro de 21 anos foi anunciado como o novo piloto reserva da RBR e da AlphaTauri na Fórmula 1, voltando a ser piloto da marca austríaca após quatro anos – ele disputou a temporada 2016 da extinta F3 Europeia como integrante do Red Bull Junior Team.

Chegou até a fazer uma exibição com um carro de F1 no circuito espanhol de Motorland Aragón e um teste oficial em Silverstone com a STR após o GP da Inglaterra. Mas, na ocasião, a parceria durou apenas um ano.

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Sem dúvidas, a situação agora é muito melhor. Primeiro que o convite partiu diretamente do Dr. Helmut Marko, consultor do programa da Red Bull na Fórmula 1 e braço direito de Dietrich Mateschitz, dono da marca de energéticos austríaca. Melhor ainda: Sérgio não teve de trazer dinheiro de patrocinadores, como a maior parte dos jovens pilotos que entra na categoria atualmente necessita para conseguir uma vaga em uma equipe. Desde a saída de Felipe Massa da Williams, no fim de 2017, que o Brasil não tinha um piloto tão bem colocado na F1.

No último ano, Sergio foi piloto de desenvolvimento da McLaren enquanto dividia sua atenção com o campeonato da Fórmula 2. Seu trabalho na equipe inglesa, que tinha sido renovado para 2020, mas acabou encerrado neste domingo, agradou aos chefes. Além disso, Lando Norris e Carlos Sainz, titulares do time, também elogiaram os resultados das atividades do brasileiro no simulador. E isso serviu como base para o crescimento dos carros laranjas em 2019 e, claro, para o desenvolvimento do modelo que será usado nesta temporada.

Sette Câmara comemora a vitória em Abu Dhabi — Foto Joe PortlockF2

Na Fórmula 2, último degrau das categorias de base, foram três temporadas por três equipes diferentes. Na primeira, Sérgio impressionou pela pequena MP Motorsport, chegando a ganhar a segunda corrida da etapa de Spa-Francorchamps em 2017. Na segunda, foi para a inglesa Carlin: não venceu, mas terminou o ano na sexta posição do campeonato.

Em 2019, correndo pela francesa DAMS, fechou a temporada em quarto, mas com duas vitórias: na prova de domingo em Spielberg, na Áustria, e na de sábado em Abu Dhabi. Ambas com sua marca registrada: a boa administração do desgaste dos pneus, algo essencial na F1 atual. Os resultados lhe garantiram os pontos necessários para a emissão da superlicença.

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Tudo isso chamou a atenção da RBR. Ouvi o primeiro rumor sobre a ida do brasileiro para lá no finzinho de 2019, mas nada foi confirmado. As conversas evoluíram e acabaram concretizadas nos últimos dias.

Estar como reserva das duas equipes da marca austríaca é uma das melhores posições da F1 atual: isso porque Helmut Marko não tem o menor pudor de trocar um dos titulares em caso de mau desempenho. Situação acontecida algumas vezes nos últimos anos – que o diga o russo Daniil Kvyat, rebaixado da RBR à STR em 2016 para a estreia de Max Verstappen no time principal, e posteriormente demitido em 2017.

Acabou readmitido como titular da STR em 2019, mas apenas por falta de opções no programa de desenvolvimento de pilotos da marca. E Marko nunca escondeu isso, mesmo com alguns bons resultados do russo – até um pódio.

Ou seja: por tudo isso, Sérgio tem agora que trabalhar duro como reserva da RBR e da AlphaTauri para estar apto no caso de uma oportunidade de disputar um GP na Fórmula 1 surgir. E, atualmente, não existe posição melhor na maior categoria do automobilismo para quem almeja uma vaga de titular no futuro. Não há pudor nas equipes da Red Bull em trocar pilotos com a temporada em curso – basta o desempenho deles estar aquém do esperado.

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