O Dia que Nigel Mansell surpreendeu Ayrton Senna e conquistou grande vitória na Hungria, há 30 anos

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Leão fez brilhante corrida de recuperação com a Ferrari largando da sexta fila e aproveitou retardatário Stefan Johansson para driblar brasileiro e assumir a liderança para não mais perder.

Nigel Mansell é um daqueles pilotos que sentimos muita falta na Fórmula 1. É claro que o tempo passa, e todos cumprem seus ciclos. Hoje, o ciclo é de caras como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Max Verstappen... Mas Mansell, se por um lado estava longe de ser o mais técnico dos pilotos, era dos que mais davam espetáculo na pista.

Faço esse preâmbulo porque, há exatos 30 anos, no dia 13 de agosto de 1989, o inglês conquistou uma das vitórias mais marcantes da carreira. Com uma Ferrari, o Leão venceu no apertado circuito de Hungaroring depois de largar apenas na 12ª colocação e passar ninguém menos do que Ayrton Senna aproveitando o vacilo de um retardatário.

Largada do GP da Hungria de 1989, em Hungaroring — Foto Getty Images

Em 1989, a Ferrari inovava com o câmbio semiautomático, o que facilitava muito a troca de marchas. Mas, a despeito de ter vencido na estreia do modelo 640, Mansell vinha tendo um ano difícil, com muitas quebras. E na Hungria o carro não conseguiu trabalhar bem os pneus na classificação, e o inglês ficou apenas na sexta fila. Na frente, também surpreendentemente, a McLaren-Honda de Ayrton Senna foi superada pela Williams-Renault de Riccardo Patrese.

O italiano foi muito pressionado por Senna após a largada, mas conseguiu se sustentar na frente. Mansell fez uma boa largada e subiu para oitavo na primeira volta. O piloto da Ferrari começou a evoluir com os problemas de Alessandro Nannini (Benetton) e ultrapassagens sobre Thierry Boutsen (Williams) e Alex Caffi (Dallara).

Patrese segurou Senna e Prost no começo do GP da Hungria de 1989 — Foto Getty Images

Enquanto isso, Senna seguia preso atrás de Patrese, e isso permitia a Gerhard Berger, Alain Prost e Nigel Mansell encostarem. O austríaco saiu dessa briga na volta 29 quando parou para trocar pneus. Mansell seguiu sua progressão e fez uma bela ultrapassagem sobre Prost na subida para as curvas 4 e 5.

Com pista livre, Mansell partiu para cima de Patrese e Senna, esquentando ainda mais a briga pela ponta. Os pneus do italiano já estavam em frangalhos, e o brasileiro finalmente assumiu a liderança na 53ª volta. Para Ayrton, teria sido importante Patrese segurar Mansell por algumas voltas, mas quem disse que o Leão queria esperar? Na curva seguinte, o inglês assumiu o segundo lugar.

A briga pela vitória ficou sendo um mano a mano entre Senna e Mansell. A Ferrari claramente era superior naquele momento da prova, já que o brasileiro ficou muito tempo preso atrás de Patrese, o que lhe tirou a pressão aerodinâmica e causou um grande desgaste dos pneus. Já Mansell, embora tenha vindo de 12º, progrediu na prova sem ficar grudado em ninguém por muito tempo.



Apenas cinco voltas depois de passar Patrese, lá estava Mansell colado em Senna. Após contornar a terceira curva do traçado de Hungaroring, de repente Ayrton viu à sua frente a Onyx de Stefan Johansson praticamente parada no meio da pista. Um comportamento irresponsável do sueco, mas que proporcionou a Mansell encurralar Senna como um gato dá o bote num rato. Que momento!

Com pneus em melhor estado, Mansell despachou Senna e partiu definitivamente rumo a uma vitória extraordinária. Como Prost tinha trocado os pneus na volta 61 e estava apenas em quinto, Senna aceitou o segundo lugar pensando nos pontos.

No fim, Ayrton acabou a corrida 25 segundos atrás de Mansell, e Prost ainda arrancou o quarto lugar de Eddie Cheever (Arrows) na última volta. De qualquer forma, mais do que nunca o protagonismo naquele dia não foi da McLaren, mas da Ferrari.

Fonte:globoesporte

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